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Data: 14/Janeiro/2018. Jairo_Guimaraes_1

Horário: 9:00.

Local: área pastoral Cristo Bom Pastor. Boa Esperança – Santarém-PA.

Tríduo missionário (10-11-12/01/2018): resp. Equipe de animação missionária de São Paulo e BRA.

Organização:

Acolhida e alojamento dos participantes do tríduo será na comunidade de Boa Esperança que se prontificou em mobilizar as famílias para acolhê-los.

Celebração dos votos (dia 14/01 pela manhã)

Seguido de oferecimentos de almoço para os participantes da celebração (responsabilidade da comunidade Cristo Bom Pastor).Jairo_Guimaraes_4

Almoço de confraternização (15/01/2018) para todos os confrades, amigos e familiares. (Local do almoço será em Santarém – são Raimundo).Jairo_Guimaraes_3

ELEMENTOS BÁSICOS DA TEORIA DO PERDÃO E DA RECONCILIAÇÃO
Por Pe. Leonel Narváez Gómez, imc

10 de Abril de 2006

PRÓLOGO

A Fundação para a Reconciliação desenvolve seus projetos de intervenção social e investigação na Colômbia, contribuindo assim com os esforços que cidadãos e cidadãs realizam para o advento da paz no mundo. Hoje a Colômbia partilha com a República irmã do Brasil planos metodológicos e linhas de investigação, e avança-se na organização de uma rede latino-americana de informação e cooperação no campo do Perdão e da Reconciliação interpessoal, comunitário e social.

Em Bogotá (Colômbia), populariza-se uma experiência de Perdão e Reconciliação interpessoal denominada ESPERE (Escolas de Perdão e Reconciliação), como uma contribuição importante em favor da construção da Paz na Colômbia. A violência social e a violência armada semearam raivas e rancores na vida dos colombianos, rancores que devem ser compreendidos e tratados pelos diferentes conhecimentos que procuram imaginar mundos possíveis de amizade e solidariedade, de justiça e paz, mundos em que a vida cotidiana possa ser vivida sem duelos.

A novidade da Fundação para a Reconciliação consiste na introdução de um método de trabalho referente ao Perdão e à Reconciliação interpessoal, que reforça poderosamente os planos de mediação, arbitragem e conciliação, trabalhando de forma direta ódios, rancores e desejos de vingança que, quando não tratados, chegam a converter-se em sementes de novos e mais graves conflitos.

Os instrumentos teóricos e metodológicos da ESPERE provêm dos trabalhos de aplicação e investigação das escolas de Wisconsin e Harvard, além de alguns outros desenvolvidos na América Latina e Europa.

Os cursos, assessorias e oficinas oferecidos pela Fundação para a Reconciliação visam fortalecer as estratégias de convivência, segurança pública e cultura cidadã, gerenciando massa crítica de investigadores e agentes de políticas públicas governamentais e não governamentais no campo da família, da empresa, da educação, da comunidade, e também as populações mais vulneráveis.

Queremos, desta maneira, acompanhar o esforço constante de homens e mulheres na construção do edifício da vida e da paz.

INTRODUÇÃO

Em 1945, quando a Segunda Guerra Mundial mal havia acabado, Albert Einstein afirmava em Nova Iorque: “Ganhamos a guerra, mas não a paz!” Foi necessário, infelizmente, que ocorressem os cruéis acontecimentos de 11 de setembro de 2001 e a recente guerra do Iraque, para nos lembrarmos novamente da famosa expressão do ex-presidente Clinton: “Não podemos continuar ignorando os ódios acumulados” de milhões de pessoas e de muitos países do mundo. Com a crescente corrida armamentista e o dispendioso avanço militar de muitas nações, com os Estados Unidos à frente, possivelmente ganharemos mais algumas guerras, mas, ao mesmo tempo, perderemos a oportunidade que a história nos oferece de conquistar muita paz. As raivas, os ódios, os desejos de vingança serão incrementados; e, por isso, haverá uma escalada de violências de todo tipo. Perante este conflito dramático que se vive em muitas cidades e países do mundo, somos chamados a fazer a escolha entre uma torpe opção armada e uma sábia opção alternativa favorável à paz. A mobilização da raiva e a economia do ódio nunca foram estratégias nem economias vantajosas (1).

Os conflitos e a violência não se solucionam com mais violência, ou com ações militares e policiais apenas. Podem ser soluções temporárias úteis, mas não podem ser as únicas opções. Custa aceitar este fato: as guerras nascem no coração das pessoas e dos povos; e é ali, nesse mesmo coração, que é preciso encontrar as soluções.

No século que acaba de findar, mais de 200 milhões de pessoas, em grande maioria cidadãos indefesos, foram massacradas nas guerras, revoluções e conflitos políticos, religiosos e étnicos, sem falar das vítimas da delinqüência comum, sempre mais numerosas (2). A violência torna-se um acontecimento ordinário não só nos campos de guerra, mas também nas ruas da cidade e no seio das nossas comunidades. Apesar das conquistas mais impressionantes da ciência e da tecnologia, apesar dos avanços policiais e militares, a humanidade não pôde encontrar ainda um remédio efetivo contra a violência, o ódio e a vingança, que rondam por toda a parte. Qual a causa de tal tragédia? Por que a violência parece crescer em quantidade e intensidade?

Não há futuro sem Perdão e sem Reconciliação. Esta frase de Nélson Mandela, tornada célebre por Desmond Tutu, resume oportunamente a mensagem desta reflexão. Não basta resolver militarmente, ou negociar os conflitos. A paz ainda continua frágil e quebradiça, inclusive com as mais efetivas ações policiais, ou com os melhores acordos oficiais. A paz é algo bem maior que o silenciar dos fuzis, que uma negociação de interesses e vantagens. A paz é curar o coração das pessoas e dos povos. Paz é conseguir que as vítimas e os agressores se perdoem e se reconciliem, de sorte que ambos possam construir o projeto de vida que tanto desejam, recuperando estes três pilares fundamentais da existência: o significado da vida, a segurança, a solidariedade social.

Infelizmente, durante séculos, o Perdão e a Reconciliação (P&R) (3) foram temas relegados ao mero espaço da religião, da teologia e da ética pessoal. Assim, a humanidade privou-se de um poderoso instrumento psicoterapêutico, social, político e espiritual para obter paz estável e sustentável. Nestes últimos anos, por sorte, o P&R foram ganhando espaço na política, na diplomacia e, finalmente, nos cenários onde se constrói democracia, segurança e convivência.

É importante notar: ainda que se trate aqui de Perdão e Reconciliação como meios efetivos para curar os ódios e desejos de vingança, não queremos de forma alguma esquecer que o cultivo da paz e a prevenção da violência exigem outro ingrediente essencial: a justiça social. Ainda que, mais adiante, venha a falar de justiça restaurativa para os agressores, quero dizer, desde já, que esta justiça diz respeito também à urgência que temos de encontrar oportunidades de progresso em favor dos pobres e despojados que vivem no mundo. A segurança, a convivência e a paz não serão possíveis sem o progresso dos mais pobres. Há alguns meses, a revista The Economist trazia o seguinte título: Does inequality matter? (Importa a desigualdade?). A destruição das Torres Gêmeas, a crescente guerra interna no Iraque e a onda de terrorismo que assola muitos países, nos dão esta pouco desejada resposta: a elite política do mundo deverá dar uma solução séria ao problema da pobreza sistemática de muitos povos, se quiser resolver o problema da globalização da violência e do terrorismo no mundo. É verdade que a falta de desenvolvimento impede que se supere a violência, mas é claro também que a violência obstaculiza o desenvolvimento. Para os que crêem que o capital social precede o capital econômico, a solução da violência deve, possivelmente, converter-se em prioridade e preferência. A pobreza é tão grave quanto a raiva de ser pobre. E enquanto conhecemos a solução para a pobreza, não conhecemos tão bem a solução para as raivas e para os desejos de vingança que a raiva engendra.

A finalidade desta reflexão é apresentar alguns argumentos que ajudem a validar e recuperar a prática do Perdão e da Reconciliação como elementos indispensáveis na construção do desenvolvimento integral dos povos. Começarei por me referir a alguns elementos teóricos do Perdão e da Reconciliação para, em seguida, apresentar brevemente alguns princípios práticos de uma experiência que avança com êxito na Colômbia e no Brasil: as Escolas de Perdão e Reconciliação (ESPERE) (4). Esta proposta de Perdão e Reconciliação dá prioridade às vítimas antes que aos agressores. A razão é simples: são as vítimas que têm o direito e o poder de perdoar (5). Por outro lado, enquanto se fortaleceu a tendência em gastar enormes somas de dinheiro para eliminar violentamente os agressores e bandidos, continua-se a desconhecer o drama e as necessidades das vítimas. As estatísticas mostram com clareza que bom número de agressores acabaram tornando-se vítimas, por não conseguirem elaborar suas raivas e rancores.

CONCEITOS BÁSICOS DE VIOLÊNCIA E DE PAZ

Ao longo dos séculos, muitos autores escreveram sobre guerra, psicologia da agressão, violência e suas conseqüências psicológicas e sociais. Um bom número de autores se concentrou no trauma produzido pela violência. Bem poucos se preocuparam do tema do Perdão e da Reconciliação, como alternativa eficaz para se obter uma paz estável (6). Consideremos rapidamente alguns pensadores que nos podem ajudar a identificar alguns conceitos básicos a este respeito.

“Arma virumque cano” (Canto as armas e o varões...) são as primeiras palavras com que Virgílio, há séculos, começou sua famosa obra – a Eneida. A cultura de guerra, fortalecida por paradigmas da cultura patriarcal, prevaleceu ao longo dos séculos. Esta mentalidade violenta se expressa ainda hoje furtivamente nos elencos da masculinidade que a sociedade atual criou: executivos de negócios, executivos políticos e chefes militares.

Freud em sua famosa obra Mais além do princípio do prazer (1920) e Konrad Lorenz em Acerca da agressão (1961) (7), afirmam que a violência é inata em todos nós. Lorenz afirma que a violência é causada por aqueles “instintos inatos programados”, que Freud os resumiu em Eros e Tanathos como forças principais psicodinâmicas sempre em luta para controle do Ego. Como meio de controle da violência, Lorenz propõe o conhecimento da evolução, a criação de amizades genuínas, o controle do crescimento da população e a prática de exercícios atléticos. Freud, pelo contrário, sublinhou a importância do crescimento individual e a reflexão.

Darwin, por outro lado, falou da violência como resultado da luta das espécies; e Marx, em sua filosofia dialética, pregou que a violência era resultado da luta de classes, a “parteira” da história. Para Darwin fazia-se necessário um ajuste genético nas espécies; para Marx, a melhor solução era o governo do povo.

Outros, como Dollar e Skinner (8), sustentaram que a violência se aprende na sociedade; e, por isso, sugeriram soluções como estas: controle da violência na TV, isolamento das pessoas violentas, premiação social para os heróis não violentos.

Wranghan e Peterson (9) olham em outra direção: valendo-se de uma vasta experiência com próceres da África, concluíram que a mentalidade violenta dos homens prevaleceu sobre a ternura e o cuidado das mulheres, simplesmente por este motivo: através da seleção sexual, os próceres desenvolveram uma busca insaciável de poder, obtido somente através da agressão. Por estranho que seja, alguns chimpanzés fêmeas (entre eles os Bonobos do Congo) conseguiram, segundo estes autores, dominar o instinto do poder e desenvolveram um estilo de vida muito mais cooperativo e pacífico. Poder-se-ia então concluir desta forma: para frear a violência e agressão, seria suficiente potenciar os valores femininos. Por culpa destes homens diabólicos, a humanidade está condenada a viver em conflito e sofrimento!

Em tempos mais recentes, alguns biólogos reivindicaram novamente o determinismo genético, insistindo que o cérebro humano (através do sistema límbico) já vem programado para a agressão violenta, que estoura de acordo com os níveis de testosterona (10).

Estas teorias deterministas têm fortes opositores. Em 1986, vinte científicos de renome produziram o tão conhecido documento de Sevilha sobre a violência, no qual garantem que não há instintos agressivos ou instintos de violência (11). É através do sistema de prêmio-castigo, aplicado pelo ambiente social atual, que se aprende a agressão (12).

Uma das teorias mais aceitas (13) parece ser a que combina constituição com construção. Rousseau, por exemplo, pensou que seu pacífico nobre selvagem tornou-se selvagem em contato com a civilização. Para Young, May e outros, a violência é, por sua vez, parte da condição humana, mas sendo também criada e controlada pela cultura. A violência ocorre quando a pessoa se sente esmagada por sentimentos de impotência, já que suas necessidades básicas de auto-estima, identidade e reconhecimento lhe foram negadas. A violência e a agressão normalmente se expressam através de reações físicas, quando a expressão de outras formas de poder interno foram negadas (o poder ser, o poder de auto-afirmação) (14).

Estas idéias já haviam sido desenvolvidas primeiro por John Burton e depois por Herbert Kelman, os autores do atual método das Necessidades Humanas, como método para solucionar os conflitos (15).

Se o coração da ética e da política é a reconstrução da dignidade humana e de suas relações, então P&R são um meio efetivo para tal fim. Um ser social é um ser que perdoa – insistia Thomas Moore (16). “É raro que um pensador político importante considere o perdão como um servo essencial da justiça, ou como um elemento indispensável na formação inicial de associações políticas” (17).

Esquece-se com freqüência que a paz é algo que se aprende, que exige exercício, disciplina e esforço. Não é algo que se impõe com a força militar ou policial. Galtung desenvolveu o esquema dos três conceitos principais de paz: peace-keeping (manter a paz), peace-making (fazer a paz), peace-building (construir a paz) (18). Peace-keeping e peace-making são estratégias a curto prazo, que quase sempre implicam intervenção armada, enquanto que peace-building é uma estratégia de longo prazo na qual Galtung enfatiza o valor do P&R como importante método para resolver a violência.

Infelizmente, em quase todos os processos de paz este método é pouco considerado e ainda agora não chega a ser uma prioridade (19). Se a paz é a democracia em sua forma mais pura, então a democracia se converte em lucro de pactos que só serão possíveis e estáveis se estiverem alicerçados no exercício do perdão.

RELEVÂNCIA DO PERDÃO E DA RECONCILIAÇÃO

Uma ilustração significativa dos extremos a que pode chegar a violência humana é a antiga trilogia dramática A Oresteia, do dramaturgo grego Ésquilo (20), onde os deuses e os cidadãos se reúnem para decidir se há outro modo de responder ao crime sem que seja com outro crime. Eles concordam que a vingança, ainda que deva estar sujeita à lei, deve também ter em conta a humanidade dos que a praticam, dos agressores. Na Oresteia, as Fúrias – divindades defensoras da lei e da ordem – ironicamente se convertem em Eunímides, isto é, em simpatizantes da bondade. Para Ésquilo, o perdão pode combinar com retribuição, sempre e quando esta não se transforme em exercício de uma justiça abstrata, mas seja um meio para reintegrar o agressor à comunidade. Como se vê, prega-se há séculos que a justiça punitiva deve ser acompanhada de justiça restaurativa.

Algo semelhante acontece na História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides, onde procura demonstrar que a vingança é irracional, dizendo que a violência se alimenta de vingança e a vingança se alimenta de violência. Por isso, aconselha: é preciso dominar a vingança em tempo, submetendo a lembrança das ofensas passadas à esperança das bênçãos futuras (21). Recuperar esta sabedoria é algo de essencial, para poder criar uma nova cultura de paz e para prevenir futuras violências (22).

Na tradição cristã primitiva, P&R ocupavam um papel central. Sem dúvida, com a institucionalização da Igreja, P&R ficaram relegados a uma prática vertical com Deus somente, perdendo-se assim toda a dimensão horizontal do pecado. Fomos ensinados a nos reconciliar com Deus, mas nos esquecemos de como reconciliar-nos com os irmãos e irmãs.

Kagan sublinha: “O conceito do perdão deve libertar-se do cativeiro religioso para entrar na fila das virtudes políticas... e do crescimento humano normal” (23). Perdão e Reconciliação são atualmente temas de fronteira da ética e da política. Nas relações sociais, nada é tão natural como a vingança; ao mesmo tempo, porém, nada é tão pouco social e politicamente inadequado. É necessário que, a partir das realidades das nossas cidades, comecemos a recuperar este capital social e político da sociedade (24).

O NÃO-PERDÃO

O psicólogo clínico Worthington faz uma análise interessante de todas as emoções que se relacionam com o que ele chama de “não perdoar”: raiva, medo, ódio, injúria, vingança. “Não perdoar” é uma emoção complexa que inicia com um medo condicionado e continua com a manipulação cognoscitiva do contínuo pensar sobre o evento original que produz o medo. A lembrança contínua (o replay cognoscitivo) produz respostas imediatas nos músculos do rosto, nos músculos do esqueleto, nas vísceras, hormônios, no sistema nervoso e, finalmente, no fluxo de sentimentos (25).

O “não perdoar” – segundo a psicanalista Anna Freud – consiste num mecanismo de defesa que faz com que a vítima procure o controle, “assumindo a conduta violenta ou ameaçadora do agressor e transformando-se ele mesmo de ameaçado em ameaçador”. É uma forma de ganhar autodomínio e dignidade.

Sun Tzu em seu livro clássico A Arte da Guerra afirma que a injúria nunca é boa conselheira: “Um governo não deve mobilizar o exército motivado unicamente pela injúria e os líderes militares não devem provocar a guerra movidos pela ira” (26). Sun Tzu, como experiente de guerra, tinha profunda consciência dos efeitos negativos da raiva e do ódio.

Segundo o psiquiatra Fitzgibbons (27) a injúria anda associada a um alto grau de tristeza, porque expressa o fracasso dos outros para satisfazer as necessidades básicas de amor, o apreço e a justiça. Há três mecanismos básicos por meio dos quais as pessoas podem resistir à raiva: a negação consciente ou inconsciente, a manifestação agressiva, o perdão.

Em nossa meninice extemporânea nós nos acostumamos a negar a injúria, o aborrecimento, o agastamento e, conseqüentemente, armazenamos dentro de nós, desde pequenos, estes aspectos negativos. O resultado natural da ofensa e do agastamento é o desejo de vingança. O desejo de vingar-se não diminui enquanto estes sentimentos não forem aceitos ou afastados. Sem uma decisão consciente de reconhecimento e abandono, a ofensa e o agastamento permanecem vivos e acumulados em nosso íntimo, podendo explodir no futuro.

O psiquiatra Aaron Beek (28) afirma que os pensamentos são responsáveis pelos sentimentos. Quando as pessoas cultivam pensamentos de raiva e ódio, iguais serão seus sentimentos e também suas ações. Este cúmulo de pensamentos, normalmente, segue determinados modelos: homogeneização do outro (todos são maus), desumanização (estas não são pessoas, mas simplesmente objetos), demonização (estes inimigos são a encarnação do eixo do Mal).

O PROCESSO DE PERDÃO E RECONCILIAÇÃO

Os agressores, normalmente, alguma vez já foram vítimas em sua vida. Para ambos os casos – vítimas e agressores – o processo de P&R funciona de modo muito semelhante. Nesta proposta argumenta-se que nas vítimas de violência ficam traumas ou feridas, que é preciso curar, a fim de que não sangrem e não provoquem infecção. Para poder realizar esta cura, propõem-se os elementos operativos mínimos indicados pela psiquiatra Judith Herman: criar ambiente seguro, contar a história, fazer duelo e reconectar-se (29).

A grande maioria dos experientes insiste em dizer que o exercício do P&R é complexo, precisamente porque deveria incluir elementos cognitivos, emocionais, condutores (físicos) e espirituais.

A definição de P&R que se adota condiciona o processo. Aqui se adota a definição de Perdão proposta por Enright, Freedman e Rique (30), que reza assim: “É a vontade de deixar de lado o direito ao ressentimento, ao juízo negativo e à conduta indiferente para consigo mesmo ou para com o outro que injustamente nos ofendeu, e alimentar sentimentos de compaixão e generosidade para consigo mesmo ou para com o ofensor”.

North faz notar: “O que se anula com o Perdão não é o crime, mas o efeito distorcedor da relação com a vítima, de tal sorte que ele não continue a prejudicar-lhe a auto-estima” (31).

Os peritos no assunto coincidem, basicamente, na indicação de algumas etapas mínimas necessárias para chegar ao Perdão. North, Enright e seu Grupo de Estudo do Desenvolvimento Humano propõem quatro fases, subdivididas em vinte passos. As fases são: catarse, decisão, ação e resultados (32).

Na fase preparatória procura-se primeiramente criar um ambiente de segurança ou de simpatia, porquanto as vítimas da violência, de modo geral, sentem-se presas do medo. A música, os exercícios de relaxamento, a dança, a ioga e tudo quanto possa ajudar a controlar a fisioneurose, constituem ajudas importantes.

Na fase da catarse trata-se de ajudar as vítimas a recobrarem o autocontrole, o respeito de si mesmo e o sentido de autodomínio. É importante aqui fazer com que as vítimas tomem consciência do replay cognitivo que recorda constantemente a ofensa e recicla o veneno causado por ela. É significativo poder dar um nome à ofensa, pois ele ajuda a recuperar o domínio sobre as coisas. É igualmente importante que a pessoa possa dar um sentido ao seu sofrimento, recobrando assim estrutura moral e, ao mesmo tempo, dando um renovado sentido de rumo à própria vida. Outro ponto de capital importância: fazer memória e contar a história. É um momento privilegiado de catarse. Não sem razão a cultura judeu-cristã é a cultura da memória. Peritos, como a psicoterapeuta Ruth Bersin, aconselham que o exercício de fazer memória seja realizado de forma mais viva que for possível, pois ajuda a vítima a recuperar o controle sobre sua própria vida (33).

A técnica da inundação e o método do testemunho podem ser particularmente úteis. Os exercícios da sociologia experimental constituem também uma ajuda importante (34).

A fase de decisão implica na introdução do conceito de justiça restaurativa em favor do ofensor. Motiva-se então a vítima a praticar o difícil exercício da compaixão.

Na fase da ação, ajuda-se a vítima a romper correntes e a soltar o barco da vida, para navegar com liberdade e alegria. Durante esta etapa, exerce especial importância a reconexão intencional com a comunidade e com o grupo. É como que o compromisso de renovação e vida nova.

A projeção para o futuro triunfa sobre a escravidão do passado (35). Os exercícios de projeção de vida podem tornar-se muito úteis, segundo o ambiente cultural das pessoas. O próprio uso de mantras (como, por exemplo: “Sei que tenho o poder de dominar-me!”), pode também produzir efeito positivo. A seqüência e o tempo destas fases depende de cada grupo. A observação constante, a avaliação, o senso comum são os melhores conselheiros.

A VERDADE E A JUSTIÇA

Não há verdadeiro Perdão e Reconciliação se faltarem seus dois elementos constitutivos: justiça e verdade. A experiência da África do Sul nos ensina importantes lições acerca do P&R. Antes de tudo, o conhecimento da verdade é fundamental para que as vítimas possam abrir-se à Reconciliação. Depois, as vítimas exigem que se lhes faça justiça e se contribua, material ou simbolicamente, como reparação do mal causado. Perdão e Reconciliação não significa impunidade; pelo contrário, verdade e justiça são componentes estruturais do P&R. É por isso que os atos simbólicos de reparação servem para fazer duelo-luto e para ritualizar um fecho simbólico. Através da reparação simbólica, as vítimas recuperam um pouco mais de segurança, de identidade e de sentido de vida normal (36).

A reparação é um meio formidável para transformar a lembrança negativa da ofensa e ganhar controle sobre ela. Mais que o valor da reparação, o que por fim conta é também o rito com que é feita. Com razão, o rito de reparação da Eucaristia na Igreja Católica continua a ter especial importância. Trata-se de fazer memória de um crime, mas com uma visão diferente.

A justiça implica também o conceito de solidariedade e de compaixão. De fato, para Douglas Stern, a compaixão é a expressão mais direta da sabedoria (37). Com boas razões, o símbolo da cruz é o centro da fé cristã. A cruz é a sabedoria da compaixão. Estes são conceitos carregados de uma certa irracionalidade. É por isso que, contra a irracionalidade da violência, é preciso propor a irracionalidade do P&R. É o que Pruitt e Rubin chamam de escolha estratégica (38).

Tanto na Escritura Hebréia quanto na Cristã, Deus é um Deus de compaixão, lento na cólera e rico de misericórdia. A história de Caim é um maravilhoso exemplo de tudo isto. Assim também a história de José, vendido por seus irmãos. José procura vencer o rancor do passado, não apenas tratando com bondade os seus irmãos que descem ao Egito para pedir-lhe ajuda, mas também dando ao seu filho o nome de Manassés, que significa: “Feito para esquecer” (39). No Evangelho de Lucas encontramos a mesma mensagem: “Sede misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso” (Lc 7,36).

O Prêmio Nobel de Paz – Elie Wiesel – pede que a compaixão se converta num elemento importante da humanidade. Sem compaixão não há verdade, por isso não há paz (40). A atitude evangélica de “apresentar a outra face” rompe com a lógica da retaliação.

Borris e Diehl fizeram um significativo resumo do que esta reflexão quis ser: “Se as pessoas e as organizações não fizerem a passagem de uma mudança psicológica e cultural, para aprender a perdoar, o ressentimento e ameaça de guerra continuarão” (41), como oportunamente também sublinhou Hannah Arendt: “Perdoar é libertar-se da irreversibilidade do passado”. Será preciso então fazer acordos para cancelar a “imprevisibilidade” do futuro. Assim, estes dois impostores da humanidade (ressentimento e ameaça de guerra) serão vencidos, e abrir-se-á o caminho de uma mudança da cultura e da sociedade (42).

Da mesma forma, a justiça não é apenas retributiva, mas também restaurativa. É recuperar a dignidade do outro (43), ou, segundo definição de Dickey, é restaurar toda a sociedade (44). O acento não está no crime em si mesmo, mas no efeito relacional desvirtuador que tolera. Dickey insiste (e isto aconteceu antes que os Estados Unidos reagissem violentamente contra o Afeganistão e o Iraque) em dizer que a sociedade atual se caracteriza mais pela emoção do que pela reflexão e compaixão. Conseqüentemente, procura fortes emoções que lhe são proporcionadas pela criminalidade e pelo desafogo dos instintos de vingança e de castigo. Em contrapartida, o novo paradigma da justiça restaurativa aponta para a restauração das vítimas. A antiga sabedoria dos salmos, especialmente do salmo 84, resume maravilhosamente esta teoria: “A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão” (Sl 84,11).

AS ESCOLAS DE PERDÃO E RECONCILIAÇÃO (ESPERE)

O aprendizado do Perdão e Reconciliação é um exercício difícil. Poderíamos ser tentados a crer que para fazer tal aprendizado temos necessidade de contar com psicólogos ou especialistas bem preparados, cuja despesa se tornaria impossível para muitos, especialmente para os mais pobres. Pessoas de um mesmo grupo humano, reunidas e treinadas para tal fim, podem tornar-se valiosas ajudas na implementação deste aprendizado. Nas cidades latino-americanas, onde freqüentemente os pressupostos são mais reduzidos, esta poderia ser uma proposta muito mais factível. É a experiência que atualmente está sendo levada adiante em algumas cidades da Colômbia e do Brasil, através das Escolas de Perdão e Reconciliação (ESPERE). Trata-se de pequenos grupos de pessoas que, sob a direção de animadores especificamente treinados para tal fim, ajudam os indivíduos a resolver suas raivas, ódios e rancores, levando-os assim a se abrirem ao Perdão e à Reconciliação.

Normalmente, uma das primeiras necessidades das vítimas da violência, para que possam resolver o problema de sua raiva, é esta: contar com o apoio de um grupo humano que conheça sua dor e a injustiça que lhes foi infligida (45). O papel dos grupos é oferecer os elementos básicos indispensáveis para facilitar o processo de cura, através do Perdão e da Reconciliação. Alguns elementos poderiam ser estes: a segurança, um ambiente pertinente, um público que reconheça a injustiça e o sofrimento das pessoas, relações alternativas de poder, um novo sentido de lei e de ordem, a liderança dos animadores locais. Além disso, nos grupos, os problemas são colocados e interpretados no seu devido contexto (46).

O psicólogo clínico Worthington sustenta: “O tratamento baseado na empatia pode produzir mais perdão que o produzido pelo tratamento do perdão em mero nível racional. Da mesma forma, o tratamento em nível de grupo tem muito mais efeito que o perdão tratado em nível de indivíduo” (47). Também Perkins afirma: “A educação para a paz produz melhor efeito através dos métodos participativos” (48). Herman, por sua vez, declara que a solidariedade de um grupo provê para a vítima não só uma proteção mais forte contra o terror e o desespero, mas também o antídoto contra as experiências traumáticas (49). Os grupos animam os indivíduos a buscarem ideais mais elevados, ao invés de permanecerem presos aos seus problemas. Estes mesmos grupos podem ajudar as vítimas a recuperarem a confiança em suas cosmogonias espirituais, nas instituições e nas pessoas (50).

FORTALEZAS E FRAQUEZAS

Perdão e Reconciliação é uma teoria e uma prática que apenas começa a engatinhar, embora já seja reconhecida por um crescente número de investigadores, peritos espirituais e religiosos, clínicos e ativistas políticos. Comparativamente, os estudos de violência, de solução de conflitos, de mediação cresceram muito mais, embora também eles ainda não consigam satisfazer plenamente, por não atingirem a verdadeira raiz dos problemas. Da mesma forma, também esta reflexão pode apresentar lacunas metodológicas, analíticas e conceituais próprias de uma teoria que mal começa a se desenvolver. De qualquer forma, contém uma genética de valores incalculáveis.

Em linguagem popular, estas são consideradas atividades ingênuas. Para muitos, são atividades impossíveis. Uns aceitariam o perdão coletivo (como no caso da África do Sul), mas não o perdão individual. Outros, enfim, acham que se trata apenas de um processo artificial muito frágil, uma simples reflexão que espelha os desejos dos terapeutas e da tradição cristã (51). Considerados desta forma, o Perdão e a Reconciliação não passam de uma justiça barata, de uma espiritualidade puramente idealista.

Por outro lado, cresce sempre mais o número dos autores que acreditam que o Perdão e a Reconciliação são instrumentos sociais poderosos, aptos a fazer diminuir o sofrimento emocional, mental e físico das vítimas. Psiquiatras, psicólogos e outros que trabalham no campo social começam a se entusiasmar cada vez mais perante os bons resultados produzidos pelo exercício do Perdão e da Reconciliação. Fitzgibbons chega a dizer que a descoberta do poder sanador do P&R pode muito bem ser comparado ao descobrimento das sulfas, da penicilina, do prozak e do ritalin (52).

CONCLUSÃO

O Perdão e a Reconciliação são instrumentos poderosos para a construção da democracia, da convivência e da paz. A realidade da violência do passado e do presente na Colômbia, bem como de muitas outras partes do mundo, justifica plenamente que cultivemos este novo modelo de refinada política. Não basta dispor de capital físico e econômico. Nunca, como agora, foi tão imperiosa a necessidade de adquirir este novo tipo de capital social. As pessoas e comunidades que praticam o Perdão e a Reconciliação apresentam níveis de progresso e desenvolvimento comparavelmente mais elevados das que não os praticam.

Nas palavras de Desmond Tutu, “o Perdão é absolutamente necessário para que a existência humana possa continuar. Sem Perdão e sem Reconciliação a humanidade não tem futuro”. Nos próximos anos, quando possivelmente serão firmados acordos de paz com os grupos armados, a Colômbia poderá oferecer ao país a riqueza de uma prática adquirida com o exercício do Perdão e da Reconciliação. Sem Perdão e sem Reconciliação não há paz!

Um dia, o sinal do profeta Isaías tornar-se-á realidade: “O lobo morará com o cordeiro, o leopardo se deitará com o cabrito. O bezerro, o leãozinho e o gordo novilho andarão juntos e um menino pequeno os guiará. A vaca e o urso pastarão juntos, juntas se deitarão as suas crias. O leão comerá capim como o boi. A criança de peito poderá brincar junto à cova da serpente, a criança pequena porá a mão na cova da víbora” (Is 11,7-8).

Esta é, talvez, a imagem mais completa do que significa Perdão e Reconciliação.

Leonel Narváez Gómez

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NOTAS:

1. O autor é sacerdote, Missionário da Consolata, sociólogo, M. Phil. da Universidade de Cambridge, Th. M. da Universidade de Harvard.

2. Dados impressionantes são oferecidos em BRACKEN PATRICK e CÉLIA PETTY: Rethinking the trauma of war, London, Free Association Books, 2001, p. 3, 9-20.

3. Daqui por diante usarei a abreviação P&R em lugar de Perdão e Reconciliação.

4. A teoria e o método das Escolas de Perdão e Reconciliação (ESPERE) são o resultado de 15 meses de conversações semanais com um grupo multidisciplinar de profissionais (psicólogos, psiquiatras, sociólogos, políticos da ativa, economistas, entre outros) da Universidade de Harvard, durante o período que vai de outubro de 1999 a fevereiro de 2001.

5. Enquanto os Governos podem conceder anistias e indultos, só e unicamente as vítimas têm o direito ao perdão e à reconciliação.

6. Cfr. ENRIGHT ROBERT e NORTH JOANNA, Exploring forgiveness, Madison, University of Wisconsin Press, 1998, p. 3-4. Vários autores atestam que, da época de Santo Agostinho à década de 1980, só tinham encontrado 170 títulos em inglês referentes ao tema do perdão interpessoal; em contrapartida, notaram que havia milhões de textos relacionados ao perdão de Deus.

7. Cfr. MC FADDEN, THOMAS, Liberation, revolution and freedon, theological perspectives, Seabury Press, 1975, p. 87-109.

8. A respeito deste tema, cf. JOHN DOLLARD’S, Frustration and agression (1939), e B. F. STINNER’S, Beyond freedon and dignity (1971).

9. WRANGHAN, RICHARD e PATERSON DALE, Demonic males. Apes in the origins of human violence, New York: Mariner Books, 1996. Verificar especialmente as páginas 231-251. Outros autores importantes são FRANS DE WAAL com seu livro Peacemaking among primates (1989) e BRIAN FERGUSON que coeditou com NEIL WHITEHEAD o livro War in the tribal zone: exponding states and indigenous warfore (1992).

10. Cfr. GREIDER KATHLEEN, Reckoning with aggression, theology, violence and vitaly, Louisvile, Kentucky, Westminster Press, 1997, p. 25.

11. Cfr. GREIDER, p. 22 e a nota 34.

12. Cfr. BERKOWITZ LEONARD, Aggression: a social psychological analysis, New York, McGraw-Hill, 1962, citado por Greider, p. 124.

13. Cfr. THOMAS MC FADDEN, Liberation, revolution and freedon, theological perspectyves, New York, The Seabury Press, 1975, p. 28.

14. Ibidem, p. 30-31, 44 e 182.

15. HICKS DONNA, Intractability: Conferência no Seminário PICAR, ent Wheatherhead Center for international politics, Harvard, Octobre 23, 2001.

16. MOORE THOMAS, Care of the soul. A guide for cultivatin depth and sacredness in every day life. New York: Harper Perennial, 1992, p. 155-175.

17. In SHRIVER DONALD W., An ethic for enemies forgiveness in politics, Oxford, Oxford University Press, 1995, p. 9.

18. GALTUNG, J., Three realistic approaches to peace: peace keeping, peace moking and peacce building. In Langoholtz, op. cit., p. 10.

19. KIMMEL P. R., Cultural and ethic issues, in Shriver, op. cit., p. 62. Refere-se ao caso das Forças de Paz das Nações Unidas, presentes em vários países do mundo, que também apresentam não poucas limitações.

20. A trilogia dramática é combinada por Eumenides, as Céforas e Oresteia. Dois irmãos – Thyestes e Atreus – tornam-se inimigos. Thyestes viola a mulher de Atreus, que se vinga, matando os dois filhos de Thyestes e servindo a carne deles num banquete em honra de seu pai.

21. In SHRIVER, p. 19. 22.

22. CONNEL R. W., Arms and the man, using the new research on masculinity to understand violence and promote peace in the contemporary world, Paper for UNESCO Meeting. Oslo, September 1997.

23. Ibidem, p. 7.

24. PERKINS EDWARD J., The psycholagy of diplomacy, conflict resolution in a time of minimal or unusual smallsacele conflicts, in LANGOHOLTZ HARVEY, Ed. Psychology of peace keeping, Westport, Praeger, 1998, p. 46.

25. WORTHINGTON L. EVERETT, Ed. Dimensions of forgiveness. Psychological research and theological perspectives, Philadelphia, Templeton Foundation Press, 1998, p. 119-123.

26. SUM TZU, The art of war, London, Oxford University Press, 1963, p. 166.

27. FITZGIBBON RICHARD, Anger and the healing power of forgiveness, in Enright op. cit., p. 63-64.

28. In AARON T. BECK, Prisoner of hate. The cognitive basis of anger, hostility and violence, New York, Harper Collins, 1999, p. 10-15; 17-18.

29. JUDITH HERMAN, Trauma and recovery: the aftermath of violence from domestic abuse to political terror. New York, Basic Books, 1999.

30. ENRIGHT ROBERT, FREEDMAN SUZANNE, RIQUE JULIO: Interpersonal fogiveness, in ENRIGHT R. e NORTH J., Exploring forgiveness, Madison, University of Wisconsin Press, 1998, op. cit., p. 46-47.

31. NORTH JOANNA, The ideal of forgiveness: a philosopher’s exploration, in Enright e North, op. cit., p. 17-18.

32. Ibidem, p. 21.

33. RUTH BERSIN é uma psicoterapeuta que trabalha em Boston. Referência: International Conference on Reconciliation, 25-28 de outubro de 2000, at Andover Newton Theological School.

34. Alguns exercícios tradicionais são: a cadeira vazia, o taleigo de boxeador (pugilista), o psicodrama, o diálogo de escritura com as mãos, a pintura, a dança e outros. Estas atividades são desenvolvidas com êxito em Boston (Estados Unidos) pela psicoterapeuta Amanda Curtin. Referência: Conferência in PICAR (Harvard University), 12 March.

35. BERSIN RUTH, at International Conference on Reconciliation, 25-28 October, 2000, at Andover Newton, Theological School.

36. Pensamentos de profunda inspiração podem ser encontrados em M. IGNATIEFF, The Warrior’s Honor: Ethnic war and the Modern Conscience, London: Chatto & Windus, 1998, p. 169.

37. STURN DOUGLAS, Solidarity and suffering. Towards a politics of relationship, New York, State University of New York Press, 1998.

38. In PRUITT DEAN e RUBIN JEFFREY, Social conflict. Escalation, stalemate and settlement, New York, MCGraw-Hill, 1986, p. 184-18