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Encontro JUPIC

“Como profetas e profetizas de Deus, somos chamados a unir em defesa da justiça social à salvaguarda da criação, que é um presente de Deus para toda humanidade. Por isso, a Igreja junto com todos os homens e mulheres de boa vontade e como parte de sua opção fundamental, tem a missão de cuidar do planeta como sua casa comum” (Doc. Manaus 1997). O Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JUPIC) BRA promoveu o encontro de formação para confrades SVD e os leigos das paróquias verbitas, no total de 33 participantes. Esta é a formação do primeiro semestre de 2022, cujo tema geral “Ecologia Integral”.

Estavam presentes nesta formação os confrades e leigos de nove paróquias da região Amazônica, incluindo os indígenas. O encontro foi realizado em Santarém, no período de 08 a 10 de abril 2022. A irmã Marlene, da Congregação Franciscana Angelinas, assessora do encontro, nos ajudou a mergulhar no assunto. Ao longo do encontro, os participantes foram enriquecidos com várias reflexões sobre antropologia cristã. Ela enfatiza que somos cidadãos de dois mundos: NECESSIDADES E VALORES.  Ainda aponta para duas formas de avaliar a realidade e a importância de compreender duas fontes energéticas em nós que são NECESSIDADES e VALORES. Além da antropologia cristã, durante esses três dias, fomos enriquecidos com a questão da IDENTIDADE CRISTÃ, Encíclicas do PAPA FRANCISCO “QUERIDA AMAZÔNIA”, VOCAÇÃO E MISSÃO DOS LEIGOS. Ao final da formação, todos os participantes foram desafiados a colocar na prática a ecologia integral com algumas propostas para trabalhar nas comunidades, principalmente no cuidado com a casa comum.

Como nós estamos na Amazônia, a questão ambiental deve ser sempre o centro da nossa atenção. O nosso projeto de ecologia integral da Plataforma Laudato Si com atividades desenvolvidas nos próximos 4 anos deve ser assumido com mais comprometimento.Todos os participantes aceitaram e sentiram a necessidades de avançar mais nas formações da ESPERE (Escola de Perdão e Reconciliação) e da JUSTIÇA RESTAURATIVA. Os integrantes do encontro foram convocados a se aproximar e trabalhar junto com entidades sociais confiáveis que atuam no campo ecológico e social para alcançar estes objetivos.

Maria Oneide e Pe. Adventinus Nandus, svd

A pandemia do novo coronavírus chegou como um dilúvio, devastando a vida. O mundo vive em colapso sem precedente, sofrendo crises em vários aspectos da vida humana inclusive a fome. A pandemia mortal reflete negativamente de forma direta à mesa da população, aumentando assim a fome e a miséria. Milhões de pessoas estão passando fome, principalmente a população mais carente.

Apesar do esforço de muitas organizações não governamentais em ajudar o povo afetado ainda não foi e não está sendo suficiente. E para piorar a situação é que o auxílio emergencial dado pelo governo federal foi diminuído no final de 2020. Há falta de recurso financeiro  por um lado e por outro lado há aumento sem freio o preço de alimentos. Todos esses fatos contribuem para o crescimento da pobreza. Estamos diante de uma realidade devastadora da vida e uma crise da ausência de soberania alimentar.

Diante dessa realidade gritante, a congregação da Sociedade do Verbo Divino através de sua dimensão social (JUPIC) assumiu o compromisso, sendo solidária com a vida dos irmãos e irmãs que encontram nessas situações complicadas. A congregação do Verbo Divino na sua possibilidade está permanentemente atenta aos gritos do povo e seus problemas sociais.

A dimensão social da região amazônica solicitou ajuda do generalato em Roma através da JUPIC o recurso a fim de comprar alimentos para posteriormente doá-los em cestas básicas aos necessitados. Graças a Deus o pedido foi contemplado. Nossa gratidão ao generalato. Com o recurso doado, nós estamos partilhando cestas básicas em algumas paroquias e áreas da região svd amazônica.

Pe. Adventinus , SVD

O Verbo Divino nos seus mais de 30 anos de presença na Amazônia quer ser uma presença de serviço, reconhecendo que existem muitas formas de viver a fé, preservando o núcleo central do evangelho. O respeito pelo outro e pela forma como ele manifesta o seu sentimento religioso é fundamental para uma evangelização autêntica.Visita_Superior_Geral_29

Nós entendemos este ponto como primordial para continuarmos a evangelização através dos passos seguintes que são: a formação de lideranças, a vivência autêntica da fé em uma comunidade eclesial, a criação de uma igreja toda ela ministerial, o amor pela Palavra de Deus, rezada, estuda, amada e praticada e uma eucaristia que confirma a todos na unidade e no amor de Cristo. Enfim, trabalhamos para ter:

Uma Igreja ministerial fundada sobre o princípio da comunhão e participação, que se concretiza especialmente em organismos de participação (conselhos diocesanos de pastoral, assembleias diocesanas, conselhos presbiterais, conselhos de leigos, conselhos comunitários, coordenação diocesana de pastoral etc.)Visita_Superior_Geral_15

Uma Igreja que está assumindo a vida do povo celebrando o mistério pascal a partir de suas características culturais e nos desafios de viver nas florestas e periferias das cidades, indicando um espírito de resistência;

Uma Igreja que está de maneira especial assumindo na Paróquia uma rede de comunidades, caminho para uma evangelização capilarizada e eficiente, formando discípulos-missionários;

As Comunidades Eclesiais de Base, assumidas como essenciais por nós, tornaram-se ao longo das últimas décadas, um novo modo de ser Igreja. Surgiram e espalharam-se por toda a Amazônia, assumidas de modo especial a partir do Encontro Inter-Regional de Santarém (1972), que pretendia aplicar as decisões de Medellín à nossa região.

Nas CEBs se vive a dimensão samVisita_Superior_Geral_06aritana da compaixão ativa e interajuda, de um coração e mãos abertas para quem sofre ou passa necessidade, mas também a dimensão profética de anunciar continuamente a utopia do Reino e, ao mesmo tempo, denunciar todos os mecanismos e estruturas que impedem a chegada do Reino.

Assume-se a questão indígena como causa de toda a Igreja na Amazônia. A presença solidária e o apoio incondicional à luta por seus direitos foi e é fundamental para que hoje a maioria dos povos indígenas da região tenha suas terras demarcadas. É também de enorme importância gerar uma consciência de respeito e valorização dos povos, suas culturas e seus projetos de “Bem Viver “.

Dezenas de povos saíram do silêncio em que foram forçados a se ocultar para sobreviver. Ressurgiram das cinzas e estão lutando pelos seus direitos e suas terras. Além disso a atuação corajosa dos missionários, selando seu compromisso através do sangue derramado pela vida desses povos, propiciou o surgimento de articulações e organizações dos povos indígenas, essenciais para a conquista de seus direitos e sua autonomia.

Visita_Superior_Geral_27Os riscos de extermínio de vários grupos indígenas em estado de isolamento voluntário, exige um renovado compromisso com a sobrevivência de milhares de vidas e povos ameaçados de extinção.

A Igreja depara-se hoje com uma verdadeira enxurrada de grandes projetos que os Governos querem implantar, seguindo a estratégia do “fato consumado “. Não há discussão, nem consulta popular que merecesse este nome. Decide-se e executa-se. Oponentes são criminalizados ou taxados de inimigos do progresso. Também os ribeirinhos, seringueiros, quilombolas, e outros povos tradicionais sofrem pela falta de reconhecimento de suas terras. A Igreja continua solidária com estas lutas.

Também nos deparamos com a emergência do fenômeno urbano, com o inchaço nas periferias das grandes cidade, exploração sexual, tráfico de pessoas e de drogas, violência. Em vez de investimentos em políticas públicas de saneamento básico, saúde, educação e segurança, o Estado prioriza políticas compensatórias, apoia e incentiva o grande capital, investe na construção de estádios monumentais e outras obras faraônicas.

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